SEXTORSÃO: crime e sexo se encontram na internet.

Olá pessoal!

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Lembra aquela foto? Aquela em que você está sem roupas? Lembra aquela conversa “quente” que tivemos? Então… eu estou com essas imagens aqui e se você não quiser que seus pais, seu namorado, seu chefe e seus amigos vejam, você vai ter que fazer o que eu quiser. Porque se você não fizer, eu compartilho essas imagens ainda hoje, todos vão saber e sua vida se transformará em um verdadeiro inferno.

Ou talvez:

Estou com saudades de você… me manda uma foto sem roupas? Ah não!? Não é essa a resposta que eu queria ouvir, mas, já que você está fazendo “jogo duro” eu tenho algumas imagens suas aqui comigo que vão fazer você mudar de ideia rapidinho….

Ou ainda:

Estou com imagens suas extremamente comprometedoras, para que eu não as divulgue você tem até dia xx para me mandar xxx mil reais. Caso você não pague vou publicar nossas conversas, você pode não saber mas eu gravei suas imagens você e vou divulgar em os todos os lugares e em poucos minutos todos saberão @ vadi@ que você é …

As palavras podem não ser exatamente essas… a abordagem pode mudar, afinal chantagistas são o que são e utilizarão de qualquer meio que tiverem a disposição para conseguirem o que incutindo verdadeiro para em suas vítimas. Isso é SEXTORSÃO: uma chantagem realizada a partir de uma imagem de conteúdo íntimo para obtenção de dinheiro ou de favores sexuais em troca da não divulgação do conteúdo.

Em relação às vítimas, não há distinção por gênero, em Portugal, por exemplo, pelo menos metade das vítimas são homens, na verdade adolescentes, entre 12 e 16 anos de acordo com informação disponibilizada pela unidade de combate ao cibercrime em janeiro de 2018. (https://lifestyle.sapo.pt/familia/noticias-familia/artigos/metade-das-vitimas-de-extorsao-sexual-na-internet-sao-rapazes-ate-aos-16-anos). Já na Inglaterra, levando-se em conta todos os casos de sextorsão registrados em 2016, 95% das vítimas eram homens, de todas as idades, de forma predominante, entretanto, naqueles com mais de 20 e menos de 30 anos.

As mulheres não são vítimas? Quer me parecer que as mulheres adotam um comportamento mais desconfiado em se tratando de conversas com estranhos na Internet, e elas acabam sendo vítimas de pessoas próximas em quem de certa forma confiam, e aí se enquadram nas estatísticas de “porn revenge”. Outro motivo, talvez, seja que os homens aparecem mais na estatística porque eles se sentem menos constrangidos em procurar as autoridades competentes para denunciar os fatos.

Quem é o chantagista? Em regra é alguém que utilizando-se de uma identidade falsa (quando se trata de homens a isca é em geral um perfil feminino disposto a ter um “momento quente”) procura suas vítimas através das redes sociais e por meio de uma conversa persuasiva induz a vítima a se utilizar da webcam para estabelecer um contato mais íntima. Em regra a vítima é convencida a despir-se e aí o criminoso grava essas imagens sem autorização e depois as usa para pedir dinheiro (vantagens patrimoniais) ou favores sexuais em troca da não divulgação desse conteúdo. Ou seja, na maioria dos casos há a prática de sexting (interações de conteúdo sexual explícito entre pessoas através da internet) antes da sextorsão.

Quando abordada pelo chantagista a tendência natural da vítima é desesperar-se, algumas assumem pensar em suicídio e há quem chegue mesmo a praticá-lo, outras cedem ao criminoso e pagam a quantidade exigida ou ainda enviam novas fotos ou concordam com um encontro sexual, fazem isso com a intenção de aplacar o criminoso acreditando que somente assim evitarão a constrangedora exposição. Contudo, atender aos desejos do criminoso não resolverá o problema, uma vez tendo obtido sucesso em seu intento, em breve ele voltará a contatar a vítima, tornando-a “prisioneira” de seus planos sórdidos.

O caminho correto a ser adotado pela vítima nesses casos é:  munida das provas que conseguir coletar, procurar a polícia para oferecer uma denúncia contra o chantagista. A depender da exigência feita por ele é possível enquadrá-lo em condutas previstas no Código Penal, que vão de um mero constrangimento ilegal, previsto no artigo 146 até um estupro que pode ser consumado ou tentado, dependendo dos fatos ocorridos, conforme artigo 213.

Vale ressaltar que sextorsão não é a mesma coisa que pornografia de vingança, neste último, em regra há um envolvimento afetivo anterior entre a vítima e o autor, já na sextorsão, inexiste vínculo entre os indivíduos. O que ocorre, todavia, é que como em quase tudo que envolve a rede mundial de computadores dificilmente se identificará o criminoso.

Chamo a atenção para o fato de que tem aumentado o número de crianças e adolescentes praticando sexting, a causa antecedente da sextorsão, dados apresentados no começo deste ano pelo periódico pediátrico JAMA mostram que um em cada quatro adolescentes já trocou mensagens de conteúdo sexual e um em cada sete já enviou material explícito.

Como sempre afirmo, todos temos liberdade para fazer o que desejarmos, mas, especialmente no mundo virtual antes de tomar determinadas atitudes é preciso que saibamos e aceitemos as consequências de nossos atos.

Para finalizar deixo esse link com um vídeo de conscientização feito no ano de 2016 pela autoridade britânica, que assustada com a explosão de casos de sextorsão movimentou-se e produziu um vídeo de alerta. O vídeo merece ser assistido: http://www.bbc.com/portuguese/38168015

Até o próximo post!

 

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